O ensino a
Distância (EAD) é um sistema de ensino não-presencial, ou seja, é uma forma de aprendizagem que
se dá sem a presença de professor e sem local específico para fins educativos.
A mudança histórica no decorrer dos
anos, no Brasil como no mundo, fez o individuo buscar formas de se adaptar ao
ambiente atual e desenvolver meios para sobreviver a ele.
Os desafios para a humanidade com o
surgimento de uma nova sociedade, a da informação e do conhecimento, motivou a
necessidade de uma transição de paradigma, com novas formas de ensinar e
aprender.
Esta modalidade de ensino não pode ser encarada como uma panacéia para
todos os males da educação brasileira. Há um esforço muito grande dos
educadores e pesquisadores da educação em mostrar que os problemas da educação
brasileira não se concentram somente no interior do sistema educacional, mas,
antes de tudo, refletem uma situação de desigualdade e polaridade social,
produto de um sistema econômico e político perverso e desequilibrado.
"Certamente que a educação, nas suas mais diversas modalidades, não tem
condições de sanear nossos múltiplos problemas nem satisfazer nossas mais
variadas necessidades. Ela não salva a sociedade, porém, ao lado de outras
instâncias sociais, ela tem um papel fundamental no processo de distanciamento
da incultura, da acriticidade e na construção de um processo civilizatório mais
digno do que este que vivemos". (Luckesi, 1989, 10).
Nesse período de evolução o processo aprendizagem passou por
significativas mudanças, uma delas a necessidade de criar um sistema de ensino
independente, em que o aluno poderia determinar o tempo e o local para
estudar. Em decorrência dessa necessidade
surge uma proposta de ensino a distância.
De acordo com G.
Dohmem (1967), Educação a distância é uma forma sistematicamente
organizada de auto-estudo onde o aluno se instrui a partir do material de
estudo que Ihe é apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso
do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível de
ser feito a distância através da aplicação de meios de comunicação capazes de
vencer longas distâncias. O oposto de "educação à distância" é a
"educação direta" ou "educação face-a-face": um tipo de educação que tem lugar com o contato
direto entre professores e estudantes.
Na opinião de O. Peters (1973), Educação/ensino a distância é
um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através
da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto
quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o
propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam
possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses
materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender.
No estudo de B.
Holmberg (1977), o termo "educação à distância" esconde se
sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a contínua e
imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura
ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do planejamento, direção
e instrução da organização do ensino.
Além desses, vale ressaltar
o conceito de outros autores para o mesmo assunto, porém em um período de tempo
mais atual. Para Chaves (1999),
considera a expressão educação a distância incorreta, preferindo outra, ensino a distância, uma vez que “A educação e a
aprendizagem são processos que ocorrem dentro da pessoa, não há como possam ser
realizados a distância”.
Já para Belloni (2002), o
fenômeno da educação a distância faz parte de um processo de inovações
educativas de uma forma mais ampla e integra as novas tecnologias da informação
e comunicação nos processos educativos.
Ainda que, para alguns
autores não há uma concordância quanto à terminologia dessa modalidade,
observa-se que prevalece o termo ‘educação à distância’, visto que se a expressão
educação é mais abrangente e mais focada no ensino do que no professor.
Embora a modalidade da EAD
não seja tão antiga quanto os demais formatos tradicionais de educação, mas
também não tão recente quanto alguns imaginam sua implementação nas mais
variadas áreas tem se intensificado nos últimos anos.
Por volta de
1850, agricultores e pecuaristas europeus aprendiam, por correspondência, como
plantar ou qual a melhor forma de cuidar do rebanho. Esse é o começo do ensino
a distância. (Folha online 2004)
A educação a distância surge no Brasil com cursos de eletrônica desenvolvidos pelo
Instituto Rádio-Técnico Monitor de São Paulo em 1939 e mais tarde com o Instituto Universal
Brasileiro, em 1941, várias experiências foram iniciadas e levadas a termo com
relativo sucesso. (Castro, 1979, p. 18)
Ainda segundo o
autor o Instituto Universal Brasileiro foi o difusor profissionalizante da América Latina, tais como
eletricidade, desenho, caligrafia, bordado, contabilidade.
Para Pimentel (2006), a EAD teve sua origem no século XIX e
surgiu da necessidade de preparar pessoas para o mundo do trabalho e que não podiam freqüentar um ensino presencial, sendo criadas as primeiras turmas de
ensino por correspondência.
O rádio
permitiu que o som (em especial a voz humana) fosse levado a localidades
remotas, como a televisão a sua imagem.
Nos anos de 1960, a
televisão popularizou-se no Brasil e, no ano de 1967 foram criados os canais Cultura, Tupi, Paulista, Record,
Excelsior e Bandeirantes. Ainda nesse ano, por iniciativa
do governo foram implantadas TVs Educativas, com o intuito de criar canais voltados à educação e à cultura,
e também a Fundação Padre Anchieta para
administrar a TV Cultura.
Em 1969 entrava no ar a TV
Cultura, de São Paulo, que transmitia cursos de Madureza ginasial, com
telepostos instalados em grupos escolares, e o Serviço de Radiodifusão
Educativa do MEC com o Projeto Minerva em 1970.
No ano de 1978,
estréia o Telecurso 2º grau, com a participação da iniciativa privada no processo de disseminação da EAD,
para dar atendimento a jovens e adultos
que desejavam fazer o curso ou complementar sua escolaridade até o nível de
2º Grau.
Essa idéia surgiu na
época com o presidente da TV globo, Roberto Marinho, acreditava que a televisão poderia ser utilizada
como instrumento para levar educação ao maior número possível de lares
brasileiros.
No final dos anos 80,
outras experiências, como a do programa ‘Um salto para o futuro’, o qual era
voltado para a atualização de docentes do ensino fundamental através de um
processo interativo nacional viabilizado pela popularização dos televisores e
pelo desenvolvimento do sistema de comunicação via satélite.
Segundo Evans (2002), a
terceira geração utiliza desde os anos 90 as redes telemáticas, que combinam a
informática e as telecomunicações e suas múltiplas potencialidades, tais como, o correio eletrônico, os
sites, os banco de dados, as listas de discussão etc. Sendo assim, permitindo a
interação coletiva mais rápida entre professores e alunos, principalmente de
modo assíncrono, ou seja, fora do tempo real, superando
a "distância social" bem como a "distância geográfica".
Para tanto, está diretamente ligada
ao uso do computador pessoal e da Internet, que viabiliza mecanismos para os
estudantes se comunicarem de forma síncrona (salas de chat) e assíncrona
(grupos de discussão por e-mail, fóruns).
A TV possui recursos mais aprimorados, pode combinar audição,
visão e emoção com grande vantagem para a aprendizagem do estudante. Dessa
forma, se adequam muito bem a uma proposta de ensino multidisciplinar, que
variam desde arte culinária, desenho, áreas humanas e exatas.
Motivado pela inserção da Universidade Aberta da Venezuela,
da Costa Rica, da Inglaterra, e de outras experiências bem sucedidas, o Brasil
em 1980 tenta a criação de uma Universidade Aberta a Distância, mas todas as
iniciativas foram frustradas.
Nesse período, a Universidade de
Brasília criou um centro para desenvolver cursos de extensão sob a modalidade à
distância, o que representou um grande avanço. Estavam à frente dessa
iniciativa o então pró-reitor de extensão Valnei Garrafa, Maria Rosa de
Magalhães e o reitor Cristovão Buarque.
Na época, eram usados o correio, encontros presenciais e material
impresso.
Já em 1990, uma grande parte das
instituições de ensino superior
brasileiras aderiram à
modalidade EAD. Em 1994, com
o acesso mais fácil para a internet, se expandiu
rapidamente no ambiente universitário.
Em 1992, foi criada a
Universidade Aberta de Brasília (Lei 403/92) como objetivo de atingir três
campos específicos de acesso a todos: a educação continuada, reciclagem
profissional em diversas áreas, e o ensino superior (graduação e
pós-graduação).
A Universidade Aberta do Brasil (UAB) foi
criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2005, com o objetivo de levar,
através da educação à distância, o ensino superior público de qualidade ao
interior do país. Implementada por meio da Secretaria de Educação à distância
(SEED-MEC), a UAB tem como parceiros as universidades já existentes, os
municípios e o próprio MEC. Em um país de dimensões continentais, este projeto
de interiorização da educação tem importância estratégica fundamental.
A evolução de novas tecnologias tem causado profundas
mudanças na sociedade e no cotidiano das pessoas, conseqüentemente mudando a
forma de trabalhar, de se divertir, de estudar. Sendo assim,
ocorreram grandes avanços tanto no setor
empresarial como na área da educação. Castells (2000, p.116) afirma que:
O que caracteriza a atual revolução
tecnológica não é a centralidade de conhecimento e informação, mas a aplicação
destes conhecimentos e dessa informação para geração do conhecimento e de
dispositivos para processamento/comunicação da informação, em um ciclo de
realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso.
Dessas novas tecnologias
em especial a Internet propiciou a evolução da EAD, pois através dela foi
possível criar ambientes de aprendizagem com possibilidades de interação com
pessoas de diversos lugares e com acesso a qualquer tipo de informação,
O aumento da competitividade do mercado foi um dos fatores
que impulsionaram o crescimento da EAD, as empresas precisavam buscar uma força
de trabalho cada vez mais qualificada. Por outro lado, as pessoas precisavam se
qualificar para conseguir disputar por melhores vagas no mercado, por isso a procura por cursos
técnicos e de graduação tem crescido mais a cada ano.
Darcy RIBEIRO, um entusiasta da educação à distância,
ressaltava que "os educadores
de todo o mundo passaram a contar, nos últimos anos, com aceleradores
pedagógicos de eficácia antes impensável. Falo do instrumental audiovisual,
televisivo e informático que, em conjunto, configura uma revolução tecnológica.
Maior que a representada pela tipografia de Gutemberg e, posteriormente, pela
produção industrial de livros acessíveis. Se estas deram os livros à mão cheia que
pedia o poeta, a nova oferta nos dá a mesma e até melhor quantidade de saber da
forma escrita e ilustrada, falada e sonorizada, visualizada, filmada,
televisionada e computadorizada. Tudo isso individualizado para o
aproveitamento de cada aluno". (MOTTA, 2011)
Os principais motivos da atual expansão da EAD, não só no
país, mas em todo mundo, são basicamente três:
1) o aumento da
demanda por formação ou qualificação;
2) a multiplicação de
meios técnicos capazes de garantir materialmente a efetivação desse tipo de
educação; e
3) a emergência de uma
cultura que já não vê com muito estranhamento o estabelecimento de situações de
interação envolvendo pessoas situadas em contextos locais distintos. (BENAKOUCHE,
2000).
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