O
tutor é o professor que atende o aluno diretamente no pólo, orientando-o na
execução de suas atividades, auxiliando-o na organização do seu tempo e dos
seus estudos. Geralmente ele apresenta uma formação generalista vinculada à
área do curso e não a uma determinada disciplina. Uma das atribuições do tutor
é tirar as dúvidas dos alunos em relação aos conteúdos apresentados, mas
precisamos considerar que dependendo da disciplina ou do conteúdo, esta tarefa
poderá não ser desempenhada com sucesso. O tutor é a figura mais próxima dos
alunos e o relacionamento entre estes dois grupos é sempre estruturado em um
grau de afetividade bastante considerável.
Em
todos os estudos sobre EaD é consenso a importância do papel da tutoria no
sucesso da aprendizagem e na manutenção destes alunos no processo. Em alguns
casos, verifica-se que papel do tutor é mais importante do que o material
utilizado ou as plataformas de prendizagem disponíveis. A questão preponderante
aqui é, se o papel do tutor é tão essencial ao processo de EaD e por que razão
alguns projetos o colocam em um plano menos importante? Para exercer o papel da
tutoria podemos contratar alunos dos cursos de graduação ou professores
recém-formados sem experiência como professores? Quais são os requisitos
fundamentais para a função de tutor? Segundo Belloni (2000), algumas
capacidades, tais como orientar a aprendizagem, motivar o aluno, conhecer as
ferramentas tecnológicas, ser aberto a críticas, entre outras, são essenciais
ao bom desempenho de um professor em EaD. O perfil do tutor de um curso a
distância exige algumas características que não estão relacionadas apenas com
uma competência objetiva. São aspectos relacionados ao relacionamento
interpessoal e a compreensão de educação que cada indivíduo constrói
internamente. Não basta apenas um discurso motivador e uma proposta de trabalho
enfocando a construção do conhecimento de forma conjunta com o aluno. É fundamental
que este professor adquira ou desenvolva habilidades de relacionamento
interpessoal que valorize um processo de formação flexível, com abertura para o
diálogo e negociação constantes durante a aprendizagem.
A
diferença entre o docente e o tutor é institucional, que leva a conseqüências
pedagógicas importantes. As intervenções do tutor na educação a distância,
demarcadas em um quadro institucional diferente distinguem-se em função de três
dimensões de análise (Litwin, 2001:102), conforme está na seqüência.
- Tempo – o tutor deverá ter a
habilidade de aproveitar bem seu tempo, sempre escasso. Ao contrário do
docente, o tutor não sabe se o aluno assistirá à próxima tutoria ou se
voltará a entrar em contato para consultá-lo; por esse motivo aumentam o
compromisso e o risco da sua tarefa.
- Oportunidade – em uma situação
presencial, o docente sabe que o aluno retornará; que caso este não
encontre uma resposta que o satisfaça, perguntará de novo ao docente ou a
seus colegas. Entretanto, o tutor não tem essa certeza. Tem de oferecer a
resposta específica quando tem a oportunidade de fazer isso, porque não
sabe se voltará a ter.
- Risco – aparece como
conseqüência de privilegiar a dimensão tempo e de não aproveitar as
oportunidades. O risco consiste em permitir que os alunos sigam com uma
compreensão parcial, que pode se converter em uma construção errônea sem
que o tutor tenha a oportunidade de adverti-lo. “O tutor deve aproveitar a
oportunidade para o aprofundamento do tema e promover processos de
reconstrução, começando por assinalar uma contradição” (idem).
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EDUCAÇÃO PRESENCIAL
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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
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Conduzida
pelo Professor
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Acompanhada
pelo tutor
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Predomínio
de exposições o tempo inteiro
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Atendimento
ao aluno, em consultas individualizadas ou em grupo, em situações em que o
tutor mais ouve do que fala
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Processo
centrado no professor
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Processo
centrado no aluno
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Processo
como fonte central de informação
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Diversificadas
fontes de informações (material impresso e multimeios)
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Convivência,
em um mesmo ambiente físico, de professores e alunos, o tempo inteiro
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Interatividade
entre aluno e tutor, sob outras formas, não descartada a ocasião para os
“momentos presenciais”
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Ritmo
de processo ditado pelo professor
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Ritmo
determinado pelo aluno dentro de seus próprios parâmetros
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Contato
face a face entre professor e aluno
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Múltiplas
formas de contato, incluída a ocasional face a face
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Elaboração,
controle e correção das avaliações pelo professor
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Avaliação
de acordo com parâmetros definidos, em comum acordo, pelo tutor e pelo aluno
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Atendimento,
pelo professor, nos rígidos horários de orientação e sala de aula
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Atendimento
pelo tutor, com flexíveis horários, lugares distintos e meios diversos
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Fonte: Sá, Iranita. Educação a
Distância: Processo Contínuo de Inclusão Social.Fortaleza,CEC, 1998:47.
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